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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um dia disseram-me “Esta é a última das divas”.



Uma mulher lindíssima com toda a essência do feminino na voz.Cada som transforma-se na experiência do sublime.

Não sendo um apreciador incondicional de toda a sua discografia ou reportório em que se aventurou, tiro o meu chapéu imaginário à coragem, dedicação e dignidade.

Depois de uma prestação brilhante em Eugene Onegin, seguiu-se Thaís. Uma noite ouvi-a a cantar a emblemática ária desta ópera de Massenet “Dis-moi que je suis belle” e nessa noite disse-lhe que era belíssima.Tem um novo disco, dedicado ao Verismo, esse emblemático estilo italiano. Puccini, Mascagni, Catalani, e Giordano, são alguns dos compositores, Angelica, Manon, Mimi, Liu, algumas das personagens.

O senza mamma tocou-me especialmente… deixou-me vontade de ouvir todo o papel sem interpretado por Renée Fleming.

Ouvir Renée Flemings, um verissimo prazer.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A assistir II

Já que hoje também não posso assistir ao "mítico" Otelo musicado pelo “imenso” Verdi e que soará em Portimão sob a batuta de Ferreira Lobo , e como nem sempre a minha memória está em bom estado.

Aponto aqui duas manifestações culturais que me suscitam o interesse.Os compositores portugueses perseguem-me… e ainda bem pois ajudam-me a relembrar bons momentos, momentos que guardo com saudade e me fazem sorrir.

O Coro de Câmara de Lisboa e a sua maestrina e fundadora Teresita Guiterrez, irão até à Igreja da Misericórdia de Torres Vedras Para um concerto de música sacra e de entrada livre. O reportório? Maioritariamente português do e XVIII – Scarlatti, Carlos Seixas, José Joaquim dos Santos e Marcos Portugal.E por ser no Oeste destaca-se o José Joaquim dos Santos, também ele um homem do oeste, nascido em Óbidos, mais propriamente no senhor da Pedra, no ano de 1747. Seguiu o caminho dos agraciados com o talento musical do seu tempo e passa por Itália onde estuda e trabalho. Vem a falecer em Lisboa, estimando-se que, no anos de 1801.

Chegaram até aos dias hoje, apenas duas pelas profanas (uma Écloga e uma Cantata Pastoril) sendo o grossa da sua produção dedicada à música sacra (Antífonas, Missas, Motetes, Ofícios, Salmos, Responsórios, Septenários e uma oratória). De alguma forma é um compositor que colide com o gosto essencialmente operático de D. José e de D, Mariana Vitoria mas une-se em perfeição com a religiosa e “Muy pia” senhora, D. Maria I.

Pessoalmente só conheço o “Septenário de Nossa Senhora das Dores”, que ouvi na Igreja de Santos-o-Velho, extremamente, e surpreendentemente, pelo coro do do Teatro Nacional de São Carlos. A composição respeita o estilo da época em voga em Portugal e em Itália, apresentando-se profundo e dramático.

A cidade de Óbidos, enquanto cluster cultural que se assume, e terra mãe deste compositor, tem sido lugar de estudo e de representação ou expressão deste compositor. De louvar.

De louvar também o percurso destas, e de outra instituições, que descentralizam as actividades culturais, lutando contra o preconceito e criando, e educando, públicos.

Já hoje, amanhã e Domingo, o Teatro Camões recebe 3 peças e 3 coreógrafos: “Seranade” de George Balanchine, “À Flor da Pele” de Rui Lopes Graça e “Four Reasons” de Edward Clug.Se não for para Salamanca, vou lá meter o nariz

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A assistir

É com expectativa que vou até à Gulbenkian ouvir La Zaira, do emblemático e olvidado compositor português, Marcos Portugal.

Marcos Portugal , nasceu em Lisboa no ano de 1762 e vem a falecer no Rio de Janeiro, a 17 de fevereiro de 1830). É um dos mais prolíficos compositores portugueses de todos os tempos, muito conhecido e conceituado no seu tempo, viu as suas obras serem aclamadas um pouco por toda a Europa, sobretudo na Europa de gosto “italianizado”. Compôs durante a sua carreira mais de 40 óperas (Frasas, drammas e tragedias per musica, drammas giocosos e serios) música sacra: missas, motetes, hinos, vésperas, matinas, algumas das suas peças para o imponente conjunto de seis órgãos da Basílica de Mafra e ainda modinhas e músicas patrióticas (quer Hinos quer música para as cerimonias reais).

A sua extensa obra encontra-se distribuída por vários arquivos e bibliotecas em Portugal, Brasil, Itália, França, Inglaterra, Espanha, Bélgica e Estados Unidos da América. Não querendo avaliar o nem o estado nem os apoios às artes, não posso deixar de referir que este é um compositor pouco estudado e interpretado. E cuja vasta obra é alvo de pouquíssima gravações, existindo apenas no circuito comercial as óperas: Le Donne Cambiate e Lo Spazzacamino e mais umas coisas salpicadas.

Por inúmeras razões este compositor para mim é emblemático e felizmente já tive a oportunidade de assistir à interpretação de algumas peças suas, inclusivamente uma das árias do soprano de La Zaira, e, modestamente, considero essa peça belíssima.

La Zaira estreou em Lisboa em 1802 com libreto de Mattia Botturini sobre paradigmático texto de Voltaire. As dicotomias do amor e da religião atormentam a escrava cristã Zaira e o sultão muçulmano Orosmane.

Estou curioso…

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Enigmas

TURANDOT

Estrangeiro, escuta:

Na noite escura voa um fantasma iluminado.

Sobe e abre as asas sobre a negra infinita humanidade.

Todo o mundo a invoca e todo mundo a implora.

Mas com a aurora o fantasma desaparece para renascer no

coração. E cada noite nasce e cada dia morre!

CALAF

Sim! Renasce! Renasce!

E em regozijo leva-me consigo,

Turandot - a Esperança!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A ouvir



A não perder o mais recente trabalho de Cecilia Bartoli, desta feita dedicado aos Castrati. Uma cantora que nos tem vindo a presentear com verdadeiras raridades e descobrindo reportório há muito esquecido.

Mestre nas ornamentações vocais, trilos e coluraturas, Cecilia Bartoli mostra-nos os resultados de um técnica vocal apurada e das aulas que iniciou ainda na infância com a sua mãe.