
E sob a forma de Touro, Zeus raptou a princesa Europa e levou-a para Creta, onde se amaram debaixo da frondosa sombra dos plátanos. Desde aquele dia que estas árvores nunca mais perderam as folhas no Inverno.

Esses estranhos que nós amamos |
“E aproximando os lábios do seu ouvido, disse-lhe:
Nasci para passar a vida ao teu lado.”

Folheando umas das bíblias da inércia e da bacoca sociedade, eis que me deparo com uma fotografias de Luciana Abreu. A eterna Floribela ou a Lucy…
Não se pode dizer que tenha primado pela elegância, ou pelo bom gosto. Mas que vestia ela? Camisola, leggins e caneleiras pretas, e uns micro calções de lantejoulas prateadas… Tive medo mas sobrevivi… Calçava uns ténis também prateados… e ao ombro??
Aí foi o horror… Ao ombro portava uma Louis Vuitton… O meu horror não era da peça desta prestigiada marca, que para alem de ser de tamanho considerável, era um dos modelos mais clássicos… O horror foi… Coitada da Vuitton nas mãos desta mulher! Que fizeram as coitadas para merecer isto!
Temos que nos juntar… Temos que fundar a Liga dos Amigos das Vuittons em Perigo e salvar os pobres artigos das mãos de Lucy, CR9 (e respectiva família)…
Quando um olhar nos acaricia, e sentimos no brilho desses olhos ao reflexo dos nossos… vale a pena!

Nos tempos idos, ou não assim tanto, os que iam sofrer a pena da morte eram vendados. E se a pena era letal e muitas vezes lenta e dolorosa, não seriam vendados para serem poupados a algum sofrimento extra. Poupado seria o carrasco. Poupado de ver os olhos da vítima e ficar viciado no terminal olhar, transformando assim de um instrumento de punição a um eventual elemento a punir.
O W, Benjamim disse que a obra de arte nos devolvia o olhar. E nesta troca e baldroca de olhares eu fiquei viciado. Sim, assumo que sou viciado em arte, em cultura. Só isso pode justificar o sem número de espectáculos, exposições e demais experiências culturais que tenho tido ultimamente. Dança, música, cinema, pintura, arquitectura…
E como não quero ser tal Édipo, e mutilar os meus olhos, vou tentando procurar satisfazer este meu vicio…

Diz a ancestral sabedoria popular, que “vergonha é roubar e não poder fugir,” ou numa outra versão, “vergonha é roubar e ser apanhado”.
Agora, tentar roubar sem sucesso no furto, não poder fugir porque se está entalado num buraco e ser apanhado com as calças pelos tornozelos, numa posição tão sui generis, após 12 horas de frio… O que é? Vergonha?
O visado do furto parece que não vai apresentar queixa… Sim, percebe-se…
Que maior pena podia o larápio ter?

Estava eu a pensar…
Por norma quando existe um eclipse solar, não sou irrompido por uma imparável vontade de comer iogurte.
Bom, a bem da verdade, sempre que se dá um destes fenómenos naturais, não sinto particular vontade de consumir qualquer lacticínio ou mesmo qualquer outro alimento especifico.
Se bem me recordo, uma vez numa viagem de estudo algures no preparatório, comi uma pacote de batatas fritas enquanto via uma aurora boreal no planetário. Souberam-me bem. Não sei se por causa da aurora boreal ou por toda a comida que fazia parte dos lanches das viagens de estudo tinha um sabor diferente… o sabor habitual, tornava-se diferente pela novidade da experiência.
Mas iogurtes... nunca me deu vontade…

Uma mulher lindíssima com toda a essência do feminino na voz.Cada som transforma-se na experiência do sublime.
Não sendo um apreciador incondicional de toda a sua discografia ou reportório em que se aventurou, tiro o meu chapéu imaginário à coragem, dedicação e dignidade.
Depois de uma prestação brilhante em Eugene Onegin, seguiu-se Thaís. Uma noite ouvi-a a cantar a emblemática ária desta ópera de Massenet “Dis-moi que je suis belle” e nessa noite disse-lhe que era belíssima.Tem um novo disco, dedicado ao Verismo, esse emblemático estilo italiano. Puccini, Mascagni, Catalani, e Giordano, são alguns dos compositores, Angelica, Manon, Mimi, Liu, algumas das personagens.
O senza mamma tocou-me especialmente… deixou-me vontade de ouvir todo o papel sem interpretado por Renée Fleming.
Ouvir Renée Flemings, um verissimo prazer.
Certa actriz faz umas certas filmagens sobre certo pais. Contudo mostra certos desconhecimentos. Certos reagem, certos apoiam o humor.
Certo realizador faz um filme sobre certo artista. Certo cronista vai à justiça dizer de certa justiça. Certos gostam do filme, certos dizem que nem por isso.
Certo escritor escreve certo livro, com criticas sobre certas passagens de outro livro. Certo deputado vem dizer que o certo escritor devia mudar de necessidade e certo clérigo diz que o referido escritor é um malandreco.
Será que em vez de certas polémicas de lana caprina não se deveria respeitar certos valores, de certas instituições e pessoas.. e um tal de liberdade de expressão querida num certo dia de revolução?
Há certas coisas…

A minha memória já me atraiçoa e as informações por vezes agitam-se em demasia no meu cansado cérebro.Por lapso há uns post atrás referi o, como um dos compositores que o Coro de Câmara de Lisboa ia interpretar era José Joaquim dos Santos… e na realidade não foi bem assim.
Ao chegar a belíssima igreja do Séc. XVII vi que o programa a Apresentar se chamava Carlos Seixas e os seus contemporâneo… e o José Joaquim dos Santos não fazia parte.
D. João V, o Fidelíssimo, religioso fervoroso, amava tanto a igreja que adornava e dourava com a mesma intensidade os altares das igrejas como os aposentos da Madre Paula de Odivelas, trás para Portugal alguns privilégios papais e os cerimoniais longos e faustosos. Tais grandiosas cerimónias exigiam pomposos momentos musicais, e Carlos Seixas será um dos compositores que mais se destaca na música sacra de seu tempo.
Nascido em 1704, é um exímio músico de instrumentos de tecla – Cravo e órgão – para os quais compões inúmeras peças. Leves, de linguagem simples e elegantes, as composições de Carlos Seixas tornam-se únicas no estilo, por não serem influenciadas pelas composições estrangeiras e manterem um espírito português.
Recordo-me de ter ouvido a belíssima Missa na Igreja de São Roque.
Tenho ir comprar o CD, existe até com o Dixit Dominus, Tamtum Ergo e umas Sonatas para órgão dirigido pelo Keitil Haugsand, E penso que os Segréis de Lisboa também a gravaram.
