quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Falsas bestialidades


E sob a forma de Touro, Zeus raptou a princesa Europa e levou-a para Creta, onde se amaram debaixo da frondosa sombra dos plátanos. Desde aquele dia que estas árvores nunca mais perderam as folhas no Inverno.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Leituras



Depois do delicioso "Cisne de Africa", o Henrique Levy lançou mais um livro. Desta vez o "Praia Lisboa".

Mais uma vez a escrita é belíssima, as personagens ricas, a trama interessante. Cheia de cores, sabores e odores.

A capa é do João Figueiredo, que só por si, vale a pena comprar...


Mal posso esperar pelos outros... e já sei um pouco deles...


Os amigos

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor


José Tolentino de Mendonça
De Igual Para Igual

segunda-feira, 29 de março de 2010

Apoplexias amorosas ou lamechas que não há

“E aproximando os lábios do seu ouvido, disse-lhe:

Nasci para passar a vida ao teu lado.”

Ode à salvação, ou que fizeram as coitadas para merecer isto!


Folheando umas das bíblias da inércia e da bacoca sociedade, eis que me deparo com uma fotografias de Luciana Abreu. A eterna Floribela ou a Lucy…

Não se pode dizer que tenha primado pela elegância, ou pelo bom gosto. Mas que vestia ela? Camisola, leggins e caneleiras pretas, e uns micro calções de lantejoulas prateadas… Tive medo mas sobrevivi… Calçava uns ténis também prateados… e ao ombro??

Aí foi o horror… Ao ombro portava uma Louis Vuitton… O meu horror não era da peça desta prestigiada marca, que para alem de ser de tamanho considerável, era um dos modelos mais clássicos… O horror foi… Coitada da Vuitton nas mãos desta mulher! Que fizeram as coitadas para merecer isto!

Temos que nos juntar… Temos que fundar a Liga dos Amigos das Vuittons em Perigo e salvar os pobres artigos das mãos de Lucy, CR9 (e respectiva família)…

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dos olhos e do olhar

Quando um olhar nos acaricia, e sentimos no brilho desses olhos ao reflexo dos nossos… vale a pena!

terça-feira, 23 de março de 2010

Vício ou a necessidade de uma venda


Nos tempos idos, ou não assim tanto, os que iam sofrer a pena da morte eram vendados. E se a pena era letal e muitas vezes lenta e dolorosa, não seriam vendados para serem poupados a algum sofrimento extra. Poupado seria o carrasco. Poupado de ver os olhos da vítima e ficar viciado no terminal olhar, transformando assim de um instrumento de punição a um eventual elemento a punir.

O W, Benjamim disse que a obra de arte nos devolvia o olhar. E nesta troca e baldroca de olhares eu fiquei viciado. Sim, assumo que sou viciado em arte, em cultura. Só isso pode justificar o sem número de espectáculos, exposições e demais experiências culturais que tenho tido ultimamente. Dança, música, cinema, pintura, arquitectura…

E como não quero ser tal Édipo, e mutilar os meus olhos, vou tentando procurar satisfazer este meu vicio…

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

106 para as Galinheiras

Não sei qual o especial encanto que este autocarro tem, ou que qualquer autocarro possui, que leva as pessoas a atravessarem a estrada a correr sem olharem para os carros que se aproximam.

Será que a pressa de chegar ao destino minimiza o medo de cumprirem o seu destino no trajecto?


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Oh, oh, oh


Para mim o Natal apenas começas quando me recordo:

"O coelhinho foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo"

O pior é que depois se comia o coelhilnho...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

De calças nos pés


Diz a ancestral sabedoria popular, que “vergonha é roubar e não poder fugir,” ou numa outra versão, “vergonha é roubar e ser apanhado”.

Agora, tentar roubar sem sucesso no furto, não poder fugir porque se está entalado num buraco e ser apanhado com as calças pelos tornozelos, numa posição tão sui generis, após 12 horas de frio… O que é? Vergonha?

O visado do furto parece que não vai apresentar queixa… Sim, percebe-se…

Que maior pena podia o larápio ter?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Iogurte e batatas fritas



Estava eu a pensar…

Por norma quando existe um eclipse solar, não sou irrompido por uma imparável vontade de comer iogurte.

Bom, a bem da verdade, sempre que se dá um destes fenómenos naturais, não sinto particular vontade de consumir qualquer lacticínio ou mesmo qualquer outro alimento especifico.

Se bem me recordo, uma vez numa viagem de estudo algures no preparatório, comi uma pacote de batatas fritas enquanto via uma aurora boreal no planetário. Souberam-me bem. Não sei se por causa da aurora boreal ou por toda a comida que fazia parte dos lanches das viagens de estudo tinha um sabor diferente… o sabor habitual, tornava-se diferente pela novidade da experiência.

Mas iogurtes... nunca me deu vontade…

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O mundo cor-de-rosa

Nos momentos de aflição e no trono do sossego, não há como uma revista da dita imprensa cor-de-rosa para nos fazer companhia.

As paginas encerram historias de gente supostamente conhecida e mediática, por motivos muitas vezes desconhecidos. Toda a gente já perguntou… Mas quem é esta gente? E eu pergunto: Mas o que é que estas pessoas fazem?

Ora, que pergunta tola!

Estas pessoas fazem coisas várias e decerto importantes, como irem a festas, sorrirem imenso, animarem a populaça que critica assiste às ascensões e quedas da vida alheia…Mas profissionalmente? O que fazem?

E foi aqui, que após uma observação mais ou menos interessada e cuidadosa, me apercebi que existe uma longa carreira a seguir.

A primeira fase é ser EX. Este prefixo abre as douradas portas.Pode ser ex tudo, o sentido de um passado inicia o futuro. Denotei que na actualidade o ex-namorada ou o ex-mulher está essencialmente na moda, levando muitas vezes a omissão do nome da jovem iniciante e fazendo render noticias e euros com informações de importância supostamente relevantes.

Passo seguinte: Relações Públicas. Pois as meninas tanto bailaram por esses bares e discotecas e passam a fazer parte do staff, com esta fantástica designação laboral, estou certo que tiraram os cursos, leram a produção cientifica e vão aos seminários e conferências desta área . Mas porque não lhe chamam, porteiras de luxo, animadoras, festeiras, bailadoras ou apenas, “meninas que estão no bar a ser fotografas”.

Depois de trabalharem por conta de outrém, passam a empresárias. Mas empresarias de quê? Há umas que continuam em festa e lá vão para uma empresa do croquete e de imensa diversão. Outras de tanto vestirem roupinha de marcas patrocinadoras de gente socialmente inerte, abrem um lojinha de trapos. Mas penso que a grande maioria, é mesmo empresaria porque passam uns recibos verdes para irem às festas… sim, pagam impostos e tudo.

Contudo o topo da carreira, o primeiro lugar deste estranho pódio é a uma espécie de santíssima trindade do fazer qualquer coisa. Manequim, actriz, apresentadora. A ordem de entrada não interessa, o importante a ser detentora das 3 condecorações…

Bem… ele há coisas… que me fazem espécie!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um dia disseram-me “Esta é a última das divas”.



Uma mulher lindíssima com toda a essência do feminino na voz.Cada som transforma-se na experiência do sublime.

Não sendo um apreciador incondicional de toda a sua discografia ou reportório em que se aventurou, tiro o meu chapéu imaginário à coragem, dedicação e dignidade.

Depois de uma prestação brilhante em Eugene Onegin, seguiu-se Thaís. Uma noite ouvi-a a cantar a emblemática ária desta ópera de Massenet “Dis-moi que je suis belle” e nessa noite disse-lhe que era belíssima.Tem um novo disco, dedicado ao Verismo, esse emblemático estilo italiano. Puccini, Mascagni, Catalani, e Giordano, são alguns dos compositores, Angelica, Manon, Mimi, Liu, algumas das personagens.

O senza mamma tocou-me especialmente… deixou-me vontade de ouvir todo o papel sem interpretado por Renée Fleming.

Ouvir Renée Flemings, um verissimo prazer.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vícios

- Fuma?
- Lamento, mas sim.
- Óptimo! Os homens precisam de uma ocupação.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Momentos

Os momentos menos bons têm sempre um prisma positivo.
O sorriso, o ombro, o confor, o abraço dos amigos... dos verdadeiros amigos

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Certas polémicas

Certa actriz faz umas certas filmagens sobre certo pais. Contudo mostra certos desconhecimentos. Certos reagem, certos apoiam o humor.

Certo realizador faz um filme sobre certo artista. Certo cronista vai à justiça dizer de certa justiça. Certos gostam do filme, certos dizem que nem por isso.

Certo escritor escreve certo livro, com criticas sobre certas passagens de outro livro. Certo deputado vem dizer que o certo escritor devia mudar de necessidade e certo clérigo diz que o referido escritor é um malandreco.

Será que em vez de certas polémicas de lana caprina não se deveria respeitar certos valores, de certas instituições e pessoas.. e um tal de liberdade de expressão querida num certo dia de revolução?

Há certas coisas…

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um lapso de memória



Mea culpa, mea culpa…


A minha memória já me atraiçoa e as informações por vezes agitam-se em demasia no meu cansado cérebro.Por lapso há uns post atrás referi o, como um dos compositores que o Coro de Câmara de Lisboa ia interpretar era José Joaquim dos Santos… e na realidade não foi bem assim.


Ao chegar a belíssima igreja do Séc. XVII vi que o programa a Apresentar se chamava Carlos Seixas e os seus contemporâneo… e o José Joaquim dos Santos não fazia parte.


D. João V, o Fidelíssimo, religioso fervoroso, amava tanto a igreja que adornava e dourava com a mesma intensidade os altares das igrejas como os aposentos da Madre Paula de Odivelas, trás para Portugal alguns privilégios papais e os cerimoniais longos e faustosos. Tais grandiosas cerimónias exigiam pomposos momentos musicais, e Carlos Seixas será um dos compositores que mais se destaca na música sacra de seu tempo.

Nascido em 1704, é um exímio músico de instrumentos de tecla – Cravo e órgão – para os quais compões inúmeras peças. Leves, de linguagem simples e elegantes, as composições de Carlos Seixas tornam-se únicas no estilo, por não serem influenciadas pelas composições estrangeiras e manterem um espírito português.


Recordo-me de ter ouvido a belíssima Missa na Igreja de São Roque.


Tenho ir comprar o CD, existe até com o Dixit Dominus, Tamtum Ergo e umas Sonatas para órgão dirigido pelo Keitil Haugsand, E penso que os Segréis de Lisboa também a gravaram.

A Leiteira e o Pintor



Não sendo puritano nas artes, comunicações e criatividades, faz-me espécie ver o quadro do Vermeer a fazer publicidade à “Leiteira”…

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A comer II

Lisboa Restaurant Week

Tantos, tão bons... e por 20€.
Último fim-de-semana.

www.lisboa-restaurantweek.com

A beber




Foi num fim-de-semana na quinta de bons amigo e rodeado de bons amigos que descobri os vinhos da Quinta do Cerrado. Vinhos do Dão. Zona de indiscutível beleza emoldurada pelas Serras do Buçaco, Lousã, Açor, Estrela, Nave e Caramulo. Terras onde o rio Mondego e o rio Dão serpenteiam.

A descoberta feita no primeiro jantar, onde um rubicundo senhor assegurava a qualidade do vinho desconhecido para todos os comensais. “Se não gostarem, não pagam!” Pois não só pagámos como a manhã seguinte foi dedicada à recolha destes néctares.

Vinhos surpreendentes e as monocastas brancas Encruzado e Malvasia e as tintas Roriz e Touriga encantadoras

Para as tardes escolhemos o Encruzado.Tardes de sol soalheiro degustando o liquido amarelo brilhante, os aromas das frutas e faz flores misturavam-se com ao Outono que se iniciava. Também com notas de baunilha. Na boca a frescura, o sabor das pêras e das maçãs que nos faziam companhia e numa cesta brilhavam ao sol, e dos marmelos que ao longe amadureciam. Perto, muito perto estavam as gargalhas francas. Os risos e os sorrisos que as historias comuns e a amizade enlaçam.

À noite abandonámos as monocastas e o tinto de reserva “Lagares do Cerrado”. O vermelho é escuro, mas transparente como translúcida é a amizade. Os aromas das madeiras e da caruma eram subtis, como subtil era o crepitar da lareira. O corpo fluido, como fluidas eram as conversas. A acidez acentuada combinava com a refeição das iguarias da região.

Claramente vinhos do Dão... a envolver dias de cumplicidade
.