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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Perguntaram-me

Ontem numa conversa de almoço, alguém me perguntou:

“Porque é que existem pessoas más?”

A pergunta teve a genuinidade de uma criança. E sim, porque é que há pessoas más?

Pessoas verdadeiramente e visceralmente más?Quando penso em pessoas más lembro-me sempre do Heathcliff do Wuthering Heights. Será ele intrinsecamente mau ou apenas um reflexo de uma sociedade, e de uma educação? Será uma exteriorização do id Freudiano? Ou será um bom selvagem de Jean Jacques Rosseau e que reage aos males de uma sociedade como de um cão de Pavlov se tratasse?

Penso, e talvez levianamente, que as pessoas são más para se vingarem das agruras da vida, para manifestarem a revolta de serem subjugadas, para se sentirem melhores que os outros, que julgam ser ainda piores…

Pois isso respondi:“Porque dá muito trabalho resolverem-se e serem boas!”

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Julgamento

Li algures uma vez, uma pequena historia.

Um cortesão foi perante o Rei Luis XIII de França. Relatou-lhe uma história e clamou por justiça. O rei disse então: “Ouvi-vos com o ouvido direito e vou agora ouvir a outra com o esquerdo.”

Teremos de convir que foi uma sensata decisão. Que nem a justiça nem o julgamento são herméticos.

Teremos de convir, que muitas vezes não nos reservamos a este dever, ou a este direito… Talvez impressionados pela iconografia da justiça, julgamos sem ver, muitas vezes sem ouvir nem sentir.

Julgamos pelo prazer de nos sentirmos superiores, quase que divinos.

Julgamos pelo necessidade de nos sentirmos humanos e pelo menos de nos sentirmos inferiores.

Julgamos o frívolo, o trivial, o supérfluo.

Julgamos a exteriorização.

Esquecemo-nos porém que também somos julgados. Mas quando se passa de juiz a réu os sentimentos mudam e julgamento já não nos faz sentido sem nos verem o brilho dos olhos ou ouvirem o som da nossa voz. Somos iconoclastas da senhora vendada e armada.

O vox pop diz que não se julga para não se ser julgado.

Mas se julgarmos, reunamos os elementos necessários e ponderemos as variáveis.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Coisas soltas

Na vida nunca somos apenas vítimas nem só carrascos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Caixa de Pandora

Se um dia abríssemos a nossa Caixa de Pandora, o misterioso local onde encerramos os nossos segredos, medos, angustia, tristezas e males, o que aconteceria?

Decerto não sairiam contas coloridas e de metais preciosos para adornar o colo e os pulsos, pois tal como na caixa de Pandora, a original, o material não tem lugar.

Se essa caixa aberta jorrasse tudo de nós, a quem tem interesse? Seriamos detentores do nosso passado? Seriamos experimentadores das nossas sabedorias acumuladas? Cresceríamos regados pelo que aprendemos?

Talvez fossemos mais crentes no futuro e o sorriso mais fácil. Aquele sorriso fresco e solto da inocência das crianças!

Como todos tenho a minha caixa. Nela guardo os meus males

Às vezes, sozinho, abro-a… e de lá tiro o que já não faz sentido.

Às vezes, acompanhado, abro-a… e de lá tiro o que faz todo o sentido.

Coisas soltas

Quando o riso que nos fazia sorrir, o olhar que nos fazia brilhar e a existência que nos fazia existir desaparece?

Sem máscaras viveremos, acreditando que um dia voltaremos a sentir o sangue a correr nas veias.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As diferenças da igualdade

A quem um dia venha a ler estes textos, acho por bem começar por dizer, que a breve apresentação que de mim fiz, não pretendeu mostrar um intelectual hermético e recorrente ao mundo cibernético para expressar a sua sapiência superior como catarse do seu ego, utilizando por isso a meia dúzia de palavras caras, ou uma estrutura frásica mais complexa ou a duas ou três referências de uma cultura geral não tão generalizada.

Sou como todos, igual a todos, com a vivência de todos. Mais semelhantes nas exteriorizações com alguns, nos gosto com outros e modus vivendi mais idêntico com uns terceiros.

Com grandezas e desgraças estou pelo mundo, tal como o mundo está. Com interesses tão diversos, tal como múltiplas são as áreas do conhecimento.

Vamos a ver se as musas, se estiverem sem nada mais pertinente e interessante que fazer, me inspiram e ajudam a rabiscar aqui um pouco de mim…